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Garganta & Voz

Por que eu não paro de tossir? Quando a tosse vira crônica — e o que investigar

A tosse costuma ser aguda e ir cessando depois de uma gripe. Mas quando passa de três semanas ela merece atenção; acima de oito, já é tosse crônica. Refluxo, asma e tabagismo estão entre as causas clássicas — e investigar é fundamental.

Dr. Denis Melo Rangel 8 min de leitura
Resumo Os pontos principais antes de ler tudo.
  • A tosse costuma ser aguda: acompanha uma gripe ou resfriado e vai cessando aos poucos.
  • Entre 3 e 8 semanas, chamamos de tosse subaguda; acima de 8 semanas (mais de dois meses), de tosse crônica — e essa merece investigação.
  • Três causas são clássicas na otorrino: o refluxo faringolaríngeo (o ácido do estômago que sobe até a laringe), a asma e o tabagismo.
  • O pigarro persistente costuma andar junto — é um sintoma muito característico do refluxo que chega à laringe.
  • A videolaringoscopia, que permite avaliar a laringe por dentro, é um exame fundamental nessa investigação.
Homem levando a mão ao peito e à boca em um acesso de tosse, em ambiente interno.

Por que eu não paro de tossir? A tosse é um sinal muito frequente e, muitas vezes, está ligada a uma situação aguda — como depois de uma gripe ou um resfriado —, e aos poucos ela vai cessando. Mas quando a tosse insiste em ficar, ela muda de categoria e passa a merecer investigação.

Aguda, subaguda e crônica

Antes de mais nada, a tosse é um mecanismo de defesa — é assim que o corpo limpa as vias respiratórias. O problema não é tossir; é a tosse que não vai embora. Para organizar o raciocínio, a gente separa pelo tempo de duração:

  • Tosse aguda — até 3 semanas. É a mais comum, tipicamente após uma gripe ou resfriado, e tende a cessar sozinha.
  • Tosse subaguda — entre 3 e 8 semanas.
  • Tosse crônica — além de 8 semanas, ou seja, uma tosse que persiste por mais de dois meses.

A tosse crônica é a que merece uma investigação cuidadosa. E, para nós da otorrinolaringologia, há algumas causas bem clássicas que geram uma tosse muito persistente.

Refluxo faringolaríngeo

Uma causa muito frequente é o refluxo faringolaríngeo, que é a subida do conteúdo ácido do estômago em direção à laringe — o nosso órgão da fonação e da respiração. Esse ácido irrita a laringe e acaba gerando um processo inflamatório que leva exatamente ao desenvolvimento da tosse.

Um detalhe importante: o refluxo que chega à laringe nem sempre dá aquela azia clássica do estômago. Muitas vezes ele se manifesta justamente pela garganta — e o pigarro persistente (aquela necessidade de "limpar a garganta" o tempo todo) é um sintoma muito característico. Junto costumam vir a sensação de bolo na garganta, a rouquidão pela manhã e a tosse seca.

Asma

Outra situação muito característica é a asma. Muitas vezes ela pode, sim, se manifestar como tosse crônica — às vezes sem o chiado clássico, apenas com tosse, sobretudo à noite ou aos esforços. Tanto nós, da otorrino, quanto especialmente os colegas da pneumologia, acabamos recebendo muitos pacientes com sintomas pulmonares que se apresentam com uma tosse muito persistente.

Tabagismo

Uma causa que a gente sempre precisa lembrar é o tabagismo. Pacientes que são tabagistas, especialmente os ativos, muitas vezes apresentam tosse persistente. Aqui vale um cuidado a mais: no fumante, a tosse crônica nunca deve ser encarada como "normal do cigarro" sem antes afastar causas mais sérias. O cigarro também prejudica outros sentidos — escrevi sobre o quanto ele afeta o olfato e o paladar.

Outras causas a considerar

Além da tríade clássica, entram na conta:

  • Gotejamento pós-nasal — secreção do nariz que escorre para a garganta, ligada a rinite e sinusite. É uma das causas mais comuns de tosse persistente e conecta o nariz à garganta (veja obstrução nasal e sinusite ou rinite).
  • Alguns medicamentos — certos remédios para pressão alta (os inibidores da ECA) têm a tosse seca como efeito conhecido.
  • Infecções persistentes das vias respiratórias, entre outras.

Um ponto que confunde: é comum a tosse crônica ter mais de uma causa ao mesmo tempo — refluxo somado a gotejamento pós-nasal, por exemplo. Por isso tratar "no chute" costuma falhar: sem investigar, trata-se um fator e o outro segue mantendo a tosse.

Por que investigar — e a videolaringoscopia

Mas um recado muito importante é que é sempre fundamental conseguir investigar a tosse crônica, ou seja, aquela que fica muito persistente. E, para nós da otorrino, a videolaringoscopia — o exame que permite avaliar a laringe por dentro — acaba sendo uma ferramenta muito valiosa nessa investigação. Ela mostra sinais de refluxo na laringe, áreas de inflamação e outras alterações que ajudam a fechar o diagnóstico.

Em muitos casos, a avaliação é conjunta com a pneumologia e a gastroenterologia — porque a tosse mora na fronteira entre a garganta, o pulmão e o estômago.

Sinais que pedem avaliação sem demora

  • Tosse com sangue;
  • Tosse acompanhada de emagrecimento, falta de ar importante ou febre que persiste;
  • Tosse crônica em fumante de longa data, ou mudança no padrão da tosse habitual;
  • Rouquidão que dura mais de 3 semanas junto da tosse.

Se a sua tosse já passou das semanas, vale avaliar. Conheça as consultas e exames da Otoserrana, em Itaipava, e o perfil do especialista.

Dúvidas frequentes

Tosse crônica sempre é coisa do pulmão?

Não. Muitas tosses crônicas nascem fora do pulmão — no refluxo que chega à laringe ou no gotejamento pós-nasal ligado ao nariz. Por isso a investigação costuma envolver mais de uma especialidade.

Tenho pigarro o tempo todo, mas não sinto azia. Pode ser refluxo?

Pode. O refluxo faringolaríngeo muitas vezes não dá azia clássica e se manifesta pela garganta — pigarro, rouquidão matinal e tosse seca são pistas frequentes.

Xarope resolve a tosse crônica?

Xarope pode aliviar o sintoma, mas não trata a causa. Na tosse crônica, o caminho é investigar e tratar o que está por trás — refluxo, asma, gotejamento pós-nasal, tabagismo.

Referências

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Otoserrana · Itaipava

Rouquidão, amígdalas, refluxo e deglutição.

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Escrito por

Dr. Denis Melo Rangel

Otorrinolaringologista

Cuidado em otorrinolaringologia com dedicação especial à audição — do diagnóstico preciso ao tratamento, incluindo surdez e cirurgia de implante coclear, para adultos e crianças.

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