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Ouvido & Audição

BERA (PEATE): como se mede a audição de quem não pode responder ao exame

Como se mede a audição de um bebê, que ainda não sabe responder? A resposta é um exame objetivo, o BERA (também chamado PEATE), que lê a resposta do nervo auditivo e do tronco encefálico ao som. Entenda como funciona, quando é indicado e por que ele não é a mesma coisa que o teste da orelhinha.

Dr. Denis Melo Rangel 7 min de leitura
Resumo Os pontos principais antes de ler tudo.
  • O BERA (PEATE) é um exame objetivo: mede a resposta do nervo auditivo e do tronco encefálico ao som, com eletrodos, sem depender de a pessoa responder.
  • Por isso serve para bebês, crianças pequenas e adultos que não colaboram com a audiometria comum.
  • É feito com a pessoa dormindo — em sono natural, de preferência, ou com sedação quando necessário.
  • Ele estima o limiar auditivo e ajuda a investigar a via auditiva.
  • Não confundir com o "teste da orelhinha": aquele geralmente é a emissão otoacústica, que mede até a cóclea; o BERA vai além, até o nervo e o tronco.
Médica examinando o ouvido de um bebê no colo do pai, em avaliação auditiva infantil.

Uma pergunta que os pais fazem com frequência: "Doutor, como é que se mede a audição de um bebê, que ainda nem sabe responder ao exame?" A resposta é um exame objetivo, o BERA — também chamado PEATE. Ele lê a resposta do próprio sistema auditivo ao som, ou seja, não depende de a pessoa apertar um botão ou levantar a mão.

Um exame que não depende da resposta

Bem, a audiometria comum é um exame comportamental: você escuta o som e sinaliza. O BERA é diferente — é um exame eletrofisiológico. Por meio de eletrodos na cabeça, ele registra a resposta elétrica do nervo auditivo e do tronco encefálico quando um som é apresentado. É isso que o torna objetivo, ou seja, o resultado não depende da vontade nem da colaboração de quem faz o exame.

Para quem é indicado

Justamente por não depender da resposta, o BERA é indicado para:

  • Bebês e recém-nascidos, sobretudo quando a triagem auditiva do berçário aponta a necessidade de investigar melhor;
  • Crianças pequenas, que ainda não colaboram com a audiometria comportamental;
  • Adultos em que a audiometria comum ficou inconclusiva ou não pôde ser feita de forma confiável.

Sono natural ou sedação

Para o traçado sair limpo, a pessoa precisa ficar quieta e relaxada — qualquer movimento atrapalha a leitura. Por isso o exame costuma ser feito dormindo. Em bebês e crianças, a preferência é o sono natural, marcando o exame para o horário habitual de sono. Quando não se consegue esse sono natural, o BERA pode ser feito com sedação, em ambiente preparado para isso.

Não confunda com o teste da orelhinha

Aqui um esclarecimento muito importante. O "teste da orelhinha", feito na maternidade, geralmente é a emissão otoacústica — um exame que verifica a resposta da cóclea, ou seja, do ouvido interno. O BERA vai além: ele mede a resposta do nervo auditivo e do tronco encefálico.

Essa diferença tem consequência prática. Existe uma condição — a neuropatia auditiva — em que a cóclea capta o som, mas a transmissão até o cérebro falha. Nela, a orelhinha pode "passar" e a audição não estar bem. É o BERA que detecta esse tipo de situação. Por isso ele é o exame de confirmação quando a triagem falha ou quando é preciso investigar mais a fundo.

Para que serve

Em resumo, o BERA ajuda a estimar o limiar auditivo — ou seja, o quanto a pessoa ouve — e a investigar a via auditiva quando a audiometria comum não é confiável. Ele não substitui a audiometria comportamental, mas a complementa exatamente onde ela não alcança. É a ferramenta certa para não deixar dúvida sobre a audição de quem não pode responder.

Dúvidas frequentes

O BERA dói ou é invasivo?

Não. Os eletrodos ficam sobre a pele, sem furar nada, e o som é apresentado por fones. É um exame indolor; o cuidado principal é a pessoa ficar quieta, de preferência dormindo.

Se a orelhinha passou, preciso do BERA?

Nem sempre. Mas em bebês com fatores de risco, ou quando há suspeita de que a audição não está bem apesar da triagem, o BERA é indicado para confirmar — porque ele avalia além da cóclea.

Quanto tempo dura?

Costuma durar de alguns minutos a cerca de meia hora, dependendo do caso e de a pessoa se manter dormindo e tranquila durante o registro.

Referências

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

Otoserrana · Itaipava

Zumbido, perda auditiva, doenças do labirinto, tontura e implante coclear.

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Foto de Dr. Denis Melo Rangel

Escrito por

Dr. Denis Melo Rangel

Otorrinolaringologista

Cuidado em otorrinolaringologia com dedicação especial à audição — do diagnóstico preciso ao tratamento, incluindo surdez e cirurgia de implante coclear, para adultos e crianças.

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