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Ouvido & Audição

Audiometria e acufenometria: o que cada exame mede — e quando fazer

A audiometria é o mapa da sua audição; a acufenometria mede o zumbido que só você escuta. Entenda, sem susto, o que cada exame audiológico mostra, como é feito e quando é indicado — da perda auditiva ao zumbido, aqui na Região Serrana.

Dr. Denis Melo Rangel 7 min de leitura
Resumo Os pontos principais antes de ler tudo.
  • A audiometria tonal mede o som mais fraco que você escuta em cada frequência, por duas vias — a aérea (pelo ouvido) e a óssea (pelo osso atrás da orelha). A comparação entre elas diz se a perda é de condução ou do ouvido interno.
  • A audiometria vocal completa a tonal: mede a audição para a fala, que é o que importa no dia a dia. E a imitanciometria avalia o tímpano e o ouvido médio.
  • A acufenometria mede o zumbido que só você ouve — a frequência e a intensidade dele. Serve para documentar e acompanhar, não para descobrir a causa.
  • A audiometria é indicada quando há perda auditiva, zumbido, tontura, exposição a ruído ou atraso de fala na criança.
  • O exame é o começo, não o fim: é a investigação da causa (a etiologia) que define o melhor tratamento.
Homem com fones dentro de uma cabine audiométrica levantando a mão ao ouvir o som, durante a audiometria; a fonoaudióloga acompanha o exame.

Uma dúvida que aparece muito no consultório é: "Doutor, preciso repetir a audiometria todo ano? E, no fim das contas, o que esse exame mostra?" A resposta direta é que a audiometria é o mapa da sua audição — ela mede o quanto e como você ouve, frequência por frequência. E, quando o assunto é zumbido, existe um exame irmão, a acufenometria, que mede aquilo que só você escuta. Vou explicar cada um, ou seja, o que medem e quando são indicados.

O que a audiometria mede

Bem, a audiometria tonal é o exame que mede o som mais fraco que você consegue escutar em cada frequência — do grave ao agudo. Isso é feito por duas vias: a via aérea (o som que entra pelo ouvido, atravessa o tímpano e chega à cóclea) e a via óssea (um pequeno vibrador atrás da orelha que envia o som direto ao ouvido interno, ou seja, pulando o caminho do tímpano).

E é justamente a comparação entre essas duas vias que dá uma informação muito importante. Se o som pela via óssea chega bem melhor do que pela via aérea, existe uma barreira no meio do caminho — no tímpano ou nos ossículos. É a chamada perda de condução. Quando as duas vias vão mal juntas, a questão está no ouvido interno — a perda sensorioneural. Tudo isso sai num gráfico, o audiograma, que mostra o grau e o tipo da perda.

Tonal, vocal e imitanciometria

A audiometria não para no tom puro. A audiometria vocal mede a audição para a fala — que, no fim, é o que importa na vida real: entender as palavras. Ela confirma o que a tonal encontrou e mostra o quanto você reconhece daquilo que é dito.

Junto costuma vir a imitanciometria, um exame rapidinho que avalia o tímpano e o ouvido médio — se há líquido acumulado, se o tímpano se movimenta como deveria. Ela não mede a audição em si, mas ajuda a explicar parte do que a audiometria mostrou.

Acufenometria: medir o zumbido que só você ouve

Bem, o zumbido tem uma particularidade: só quem tem é que escuta. A acufenometria é a forma de traduzir esse som em número. No exame, a gente procura junto com você qual é a frequência mais parecida com o seu zumbido e qual é a intensidade dele.

Para que serve isso? Para documentar e acompanhar. Com o zumbido medido, dá para comparar mais adiante e ver se ele melhorou, piorou ou ficou igual ao longo do tratamento. Se você quer entender melhor o sintoma em si, vale a leitura de zumbido no ouvido: causas e tratamento.

Um ponto muito importante, e eu sempre falo isso: a acufenometria descreve o zumbido, ela não diz a causa. E não se assuste se a intensidade vier "baixa" — um zumbido de poucos decibéis pode incomodar muitíssimo. O incômodo é real mesmo quando o volume medido é pequeno.

Quando fazer a audiometria

A audiometria é indicada sempre que existe uma queixa ou um risco para a audição. As situações mais comuns são:

  • Perda auditiva: dificuldade de entender, subir o volume da TV, pedir para repetir com frequência;
  • Zumbido — o exame é o primeiro passo da investigação;
  • Tontura ou vertigem, que muitas vezes se relacionam ao ouvido;
  • Exposição a ruído, no trabalho ou no lazer, para acompanhar a audição ao longo do tempo;
  • E, muito importante, atraso de fala na criança — porque a audição é a base para aprender a falar.

O exame é o começo, não o fim

Eu sempre falo que o exame é uma ferramenta, não um veredito. A audiometria mostra que existe uma perda e de que tipo ela é; mas o que define o melhor tratamento é a etiologia, ou seja, a causa dessa perda. Duas pessoas com o mesmo audiograma podem ter causas diferentes — e, por isso, caminhos diferentes.

Por esse motivo, o exame é interpretado dentro da consulta, junto com a sua história. É a investigação da causa que responde à pergunta que realmente importa: como recuperar ou reabilitar a sua audição. Qualquer dúvida sobre o seu exame, será um prazer respondê-la na avaliação.

Dúvidas frequentes

A audiometria dói?

Não. É um exame indolor: você fica numa cabine, com fones, e sinaliza cada vez que escuta o som. Dura poucos minutos.

Preciso repetir todo ano?

Depende do caso. Quem tem exposição a ruído, perda já conhecida ou zumbido costuma repetir para acompanhar. Sem queixa, não há regra fixa — quem define é a avaliação.

Criança pequena consegue fazer?

Sim. Existem formas de avaliar a audição adaptadas à idade, incluindo exames que não dependem da resposta da criança. O tipo de exame é escolhido conforme cada caso.

Referências

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

Otoserrana · Itaipava

Zumbido, perda auditiva, doenças do labirinto, tontura e implante coclear.

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Foto de Dr. Denis Melo Rangel

Escrito por

Dr. Denis Melo Rangel

Otorrinolaringologista

Cuidado em otorrinolaringologia com dedicação especial à audição — do diagnóstico preciso ao tratamento, incluindo surdez e cirurgia de implante coclear, para adultos e crianças.

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